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Cuidados, memórias de luta e legado deixado 

Por Beatriz Vieira, Camily de Souza e Valentin Bezerra

Ilustração: Freepik

A prevenção ao câncer de mama é um dos principais desafios da saúde brasileira. Todos os meses, mulheres recebem o diagnóstico da doença sendo preciso investimento. O Ministério da Saúde anunciou, em dezembro de 2024, que investiria R$ 693 milhões anuais a partir de 2025 no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), voltado ao câncer de mama no SUS. Além disso, é preciso que as mulheres adotem hábitos de vida saudáveis e realizem um procedimento simples: o autoexame. 

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer, o INCA, a expectativa é que o Brasil registre mais de 73 mil novos casos de câncer de mama por ano entre 2023 e 2025 e, segundo o Observatório de Oncologia — uma iniciativa do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer com dados abertos da área de oncologia do Brasil — o número de atendimentos às mulheres com câncer de mama aumentou 54% no período entre 2012 e 2022. Ainda segundo o órgão, o país conta com 249 centros de tratamento contra o câncer de mama, distribuídos em 23 estados. 

 

A incidência de câncer de mama em mulheres com menos de 50 anos cresceu 79% nas últimas três décadas, segundo dados da revista BMJ Oncology. Ainda segundo a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA), uma em cada seis mortes por câncer de mama no Brasil ocorre em mulheres com menos de 50 anos. Recentemente, percebendo essa realidade, o Ministério da Saúde emitiu uma nova recomendação, antecipando a realização do exame de mamografia para mulheres a partir dos 40 anos e estendendo a faixa etária até os 74 anos. Antes, a faixa etária focada era de mulheres de 50 a 69 anos. 

Tipos e subtipos do Câncer de Mama

Luminal A

Tipo mais comum; melhores chances de cura; tumor de crescimento lento

Luminal B

Tumor de crescimento mais rápido; perspectivas de recuperação menos favoráveis que o Luminal A

HER2

Não depende de hormônios; superprodução da proteína HER2; proteína HER2 atua no crescimento, divisão e reparo celular; mais agressivo; tratável com terapias-alvo

Triplo

Negativo

Negativo para todos os receptores (Estrógeno, Progesterona e HER2); depende primariamente de quimioterapia 

Diagnóstico

A condição genética da paciente influencia, sim, nas chances de desenvolver o câncer de mama. Entretanto, conforme explica o mastologista Idelfonso Carvalho, esse não é o único fator de risco. O médico reforça que os cuidados diários com a rotina e o estilo de vida são essenciais, pois o desenvolvimento da doença é o reflexo de uma combinação de fatores. “É uma coisa chamada ‘epigenética’, que é a mistura da tua constituição, do teu DNA, junto com com os teus comportamentos. Chama assim ‘medicina do estilo de vida’: Alimentação, atividade física regular, sono de qualidade, controle do estresse, relacionamentos saudáveis e evitar substâncias nocivas”. 

 

O mastologista afirma que alguns sinais genéticos acendem o alerta, especialmente em mulheres,

mas que eles não significam, necessariamente, o desenvolvimento do câncer de mama. “Menstruar

cedo, demorar para parar de menstruar, ter filho muito tarde, engordar, ser estressada,

ter parente de primeiro grau com câncer de mama, álcool”. 

 

O tratamento do câncer de mama passa, inevitavelmente, pelo diagnóstico precoce. O mastologista explica que a medicina evoluiu e o que antes era visto como um só, hoje é classificado em quatro tipos principais:

Luminal A, Luminal B, HER2 e Triplo Negativo. O segredo para diferenciar os tumores é a sua dependência.

Os tipos que levam o nome “Luminal” (A e B) são sensíveis aos hormônios femininos, como o Estrógeno e

a Progesterona, que agem estimulando o crescimento das células cancerosas. Já os subtipos HER2 e Triplo

Negativo não se alimentam desses hormônios, mas estão ligados a falhas na estruturação e no crescimento

celular. Essa classificação é fundamental porque cada tipo exige um tratamento diferenciado, reforçando a necessidade da detecção mais breve possível. 

O primeiro e mais comum sinal de alerta é o desenvolvimento de um nódulo, uma massa ou caroço que se forma a partir do acúmulo desordenado e anormal de células no tecido mamário. Essencialmente, o câncer de mama é um tumor; suas células sofrem mutações, perdem o controle sobre a multiplicação e se agrupam em uma massa palpável. Por isso, apalpar regularmente a região da mama é o passo inicial para a detecção precoce.

Além da apalpação, o diagnóstico é feito por meio de exames de imagem, como a mamografia. Este é o método mais importante para o rastreamento, por conseguir detectar lesões muito pequenas, inclusive em casos assintomáticos, que não podem ser sentidas no toque. A recomendação médica é que o procedimento seja feito anualmente. Já a ultrassonografia mamária é comumente utilizada para complementar a mamografia, especialmente em pacientes com mamas mais densas ou em mulheres jovens. 

Uma vez localizado o nódulo, é preciso a realização de uma biópsia. Nessa etapa, uma pequena amostra do tecido do nódulo é removida em uma pequena cirurgia. O material é enviado para análise laboratorial, onde um patologista confirma se as células são malignas, ou seja, cancerosas, ou benignas. 
 

Atlas de Mortalidade por Câncer em 2021

Mortes por câncer de mama no Brasil

Histórias de quem venceu o Câncer

Irmãs Isabel e Maria José

Esse foi o percurso feito pelas irmãs Isabel Alves de Morais e Maria José de Morais, moradoras da cidade de Várzea Alegre, no Cariri cearense. Isabel, professora aposentada e ex-funcionária do Hospital São Raimundo Nonato, atualmente com 78 anos, foi diagnosticada com câncer de mama aos 49 anos, em 1996. 

 

Isabel conta que, quando descobriu o nódulo de aproximadamente 2 centímetros, era um dia comum na semana do padroeiro de Várzea Alegre, São Raimundo Nonato. “Eu fui pra Missa de São Raimundo Nonato e quando eu voltei da missa, fui atender uma pessoa lá fora, na sala. Quando fui passando no corredor, senti uma pancada na mama, que essa pancada eu não sei, eu digo que foi Jesus que me mandou. Senti a dor na mama, botei o dedo e notei o nódulo”. 

 

Desconfiada, Isabel procurou atendimento médico e se encaminhou para Juazeiro do Norte, principal polo de saúde do sul cearense e, de lá, foi encaminhada para a capital, Fortaleza. “Lá em Fortaleza, fiz a biópsia congelada. Na biópsia congelada, já foi descoberto que era ‘CA’ e já foi feito mastectomia total.” 

 

Enquanto funcionária do Hospital São Raimundo Nonato, em Várzea Alegre, Isabel comenta que o diagnóstico não a assustou tanto. “Pra mim, não foi difícil não. Não sei se é porque eu já trabalhava no hospital, via muito tipo de doença e tudo mais. Então aceitei com naturalidade”, afirma. 

 

A partir daí, iniciou-se o tratamento. Isabel passou por sessões de radioterapia e quimioterapia. A radioterapia é um tratamento indolor contra o câncer que se utiliza de radiações ionizantes, como, por exemplo, os raios-x. Eles destroem e impedem a multiplicação das células cancerosas, através da danificação do DNA das células malignas, enquanto se preserva ao máximo os tecidos saudáveis ao redor.

 

Já a quimioterapia é um tratamento sistêmico, ou seja, a medicação viaja pela corrente sanguínea e atinge as células doentes em todas as partes do corpo, e não somente no local do tumor. Ela é recomendada em casos de metástase, que é quando o câncer se espalha por todo o corpo. No câncer de mama, ela pode ser usada antes da cirurgia para reduzir a dimensão do tumor, ou após a cirurgia para eliminar células cancerígenas que restaram e prevenir o retorno da doença. 

 

Diagnosticada com um câncer do tipo “luminal”, Isabel também fez uso, por 10 anos, do medicamento chamado Tamoxifeno. O medicamento atua como um bloqueador hormonal, ligando-se às células cancerosas para impedir que o estrogênio “alimente” o tumor. Na época, um estudo do Projeto Atlas já reforçava a eficácia de estender o uso por dez anos, comprovando que a medida reduziu significativamente a reincidência da doença e a mortalidade.  

 

A professora aposentada passou pelo processo de mastectomia total que consiste em uma cirurgia que remove toda a glândula mamária, incluindo o tecido mamário, a pele, o mamilo e a aréola. A retirada da mama é uma situação que afeta a autoestima da mulher, por isso, atualmente, Isabel utiliza uma prótese mamária. Ela ajuda na recuperação da autoestima da mulher após o tratamento. ​

No Brasil, a Lei Federal 12.802/2013 garante que as mulheres submetidas à retirada total ou parcial da mama devido ao câncer de mama têm o direito à cirurgia plástica reconstrutiva, seja ela com prótese ou não. É realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no mesmo momento do procedimento de retirada, ou logo que a paciente tiver condições clínicas para isso. 

 

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A irmã de Isabel, a aposentada e ex-funcionária da Rádio Cultura, Maria José de Morais, de 60 anos, também foi diagnosticada com câncer de mama aos 52 anos enquanto fazia exames de rotina em Juazeiro do Norte e, segundo ela, tudo começou com a calcificação — um processo bioquímico no qual sais de cálcio se depositam em tecidos do corpo — de uma área ao redor da aréola. 

Maria José buscou atendimento médico e, após realizar mamografia e ultrassom, foi diagnosticada com um nódulo de 1,20 centímetros. A partir daí, foram iniciados os procedimentos de tratamento. “No dia primeiro de agosto de 2017, eu já fiz a biópsia, dia 13 de agosto eu recebi o resultado e no dia 23 de agosto eu já fiz a cirurgia. Só foi preciso fazer, graças a Deus, a radioterapia. ‘Quimio’ não precisou porque ele estava no início. 0,70 centímetro era maligno e 0,50 centímetro benigno.” 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maria relata que após a cirurgia, teve dificuldades ao levantar o braço. Portanto, o trabalho do mastologista une-se ao do fisioterapeuta, visando garantir a plena mobilidade da paciente. “Todos que fazem a cirurgia, ficam com um pouco de dificuldades para levantar o braço, por que se tiver linfonodos abaixo das axilas aí é cortado, e a gente tem que fazer a fisioterapia para poder movimentar o braço”, explica. 

 

Em todos os momentos do tratamento, Maria tornou a sua fé uma grande aliada na luta contra a doença e, mesmo curada, não deixa de cuidar da saúde. “Eu tenho que levantar as mãos para o céu e dar graças a Deus; de fazer meus exames todos os anos e, graças a Deus, que foi descoberto rápido. Se não tivesse sido descoberto rápido, ia ficando e ficando e, quando pensar que não, já estava bem maior. Então, graças a Deus, foi descoberto bem ligeiro”, celebra. 

 

A mensagem dada por ambas é a mesma: a prevenção, o exame de toque feito em casa é o primeiro passo para, caso diagnosticado, o câncer tenha altas chances de cura. “Eu só tenho a dizer o seguinte: que vocês, mulheres, se cuidem. Procurar fazer os exames. Quanto mais cedo for descoberto, melhor é”, incentiva Isabel. 

 

Curadas, as irmãs reforçam que receber essa boa notícia não significa abandonar os cuidados com a saúde, sendo necessário fazer acompanhamento constante. “Todos os anos a gente tem que fazer a revisão, eu fazia esse acompanhamento em Fortaleza, como a idade avançou e para eu ir para Fortaleza é mais difícil, então eu estou fazendo no Juazeiro. E nessa brincadeirinha eu passei os 5 anos, passou 10, passou 15, passou 20, 25 e hoje já está com 28 anos que eu tive o câncer. E, graças a Deus, não senti mais nada, a única coisa que eu tenho é agradecer a Deus por ele ter me dado a recuperação. E às pessoas que tiverem, tenham fé em Deus que ficam boas”, conta Isabel.

Art. 1º O art. 2º da Lei nº 9.797, de 6 de maio de 1999, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 1º e 2º :

 

§ 1º Quando existirem condições técnicas, a reconstrução será efetuada no mesmo tempo cirúrgico.

 

§ 2º No caso de impossibilidade de reconstrução imediata, a paciente será encaminhada para acompanhamento e terá garantida a realização da cirurgia imediatamente após alcançar as condições clínicas requeridas.” (NR)

 

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

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"Eu tenho que levantar as mãos para o céu e dar graças a Deus; de fazer meus exames todos os anos e, graças a Deus, que foi descoberto rápido. Se não tivesse sido descoberto rápido, ia ficando e ficando e, quando pensar que não, já estava bem maior. Então, graças a Deus, foi descoberto bem ligeiro”

Maria José

Escute o depoimento de Maria José. Ela passou pelo tratamento de radioterapia. 

Isabel fez sessões de radioterapia e quimioterapia. Além disso, participou da fase de testes do medicamento Tamoxifeno. 

O legado de quem nos deixou

O tratamento de câncer por si só não é um processo fácil. Ele mexe não apenas com o corpo, através da quimioterapia, da radioterapia e pelo próprio desenvolvimento da doença, mas também com o psicológico do paciente e de pessoas próximas que o estão acompanhando.

 

A pior notícia para um paciente diagnosticado é o estado terminal, quando não há mais formas de controlar a doença, que avança de forma irreversível. O paciente em estado terminal sofre com diversos sintomas como dor óssea, fraqueza, falta de ar, icterícia (pele amarelada), perda de peso, inchaço abdominal, fraqueza, fadiga, náuseas, vômitos e diversos outros mal estares que afetam diretamente a qualidade de vida.

 

Quando se há óbito por câncer, pode-se ser visto de duas formas, um alívio e um descanso para o indivíduo que conviveu com a doença por tanto tempo, ou uma vida e uma história que foi encerrada de forma tão dolorosa e com muita batalha, deixando um vazio nos corações de quem estava ao redor daquela pessoa que tanto amava.

 

E mesmo quando não há diagnóstico de estado terminal, na verdade há cura e alta do paciente, é importante ainda ficar de olho e fazer exames gerais semestralmente ou anualmente. Como já dito, o tratamento do câncer é extremamente invasivo, pelo  uso de radiação constante e medicamentos fortes e esse uso frequente pode sim acarretar no aparecimento de outras doenças. Esse foi o caso da professora Maria de Fátima Batista que morreu em 2024 após passar três anos lutando contra o câncer.

 

Anália Batista, filha da Fátima, acompanhou todo o processo de tratamento da mãe. Ela conta que a mãe descobriu o câncer em 2021 depois de sentir que um seio estava mais quente que o outro e logo após apresentou um pequeno sangramento. Ao ir no posto para tomar uma vacina, a enfermeira aferiu a pressão de Maria de Fátima, que estava alta e a encaminhou para o médico.

 

“Ela aproveitou e falou com o médico o que ela tava sentindo e o médico encaminhou ela para fazer uma ultrassom. (...)  Dr. Márcio na ultrassom já viu que tinha dois nódulos aí ele já encaminhou ela diretamente para fazer a biópsia. Ela descobriu cedo, mas como ela  teve que mexer pra fazer a biópsia ele cresceu muito rápido.”

 

Após o diagnóstico confirmado, Anália conta que sua mãe começou o tratamento imediatamente, ela diz que Fátima chegou a fazer 18 sessões de quimioterapia, 30 de radioterapia, além da cirurgia de retirada da mama e outras duas cirurgias de reconstrução.

 

“Eu achei que ela foi muito forte. Nunca imaginava que ela ia ser tão forte como ela foi. Nem a quimioterapia chegou a abalar ela. Ela chegava da quimioterapia nem parecia que ela tinha feito a quimioterapia, continuava dando aula, acho que ela se afastou pouco tempo da escola. Todo final de semana ela ela tava com minha vó, cuidando da minha vó. Minha vó se abalou muito porque todo final de semana ela tava lá com a minha vó, independente do que acontecesse, o sábado e o domingo era sagrado ela passar com os meus avós”.

Após um longo tratamento, Fátima recebeu alta e ficou fazendo acompanhamento a cada 3 meses e reposição hormonal em casa. Depois do susto que foi o diagnóstico, finalmente o tratamento havia finalizado e as coisas tinham parcialmente voltado ao normal, até ela começar a sentir muita dor e inchaço. Por conta do inchaço, o médico, suspeitando de um problema no fígado, prescreveu algumas medicações e a mandou para casa.

Mas o problema não foi resolvido, a medicação passada pelo médico não era a que Fátima necessitava, já que seu problema não era no fígado, então os sintomas se intensificaram, ela começou a inchar cada vez mais e sua pele ficou amarelada. Então, decidiram levá-la para o hospital de Barbalha. 

“Eles tentavam fazer os exames, ultrassom, só que como ela tava com muito líquido já não dava pra ver, só que o diagnóstico que deram foi pedra na vesícula, que tinha dilatado. Eles liberaram ela lá em Barbalha, disseram que ela tinha que fazer a cirurgia, só que quando ela chegou aqui, tipo a gente chegou de manhã e quando foi de tarde ela já passou mal.”

 

Anália conta que, ao chegar no hospital de Várzea Alegre, novamente sua mãe foi transferida, mas não resistiu. Maria de Fátima teve falência nos órgãos, causada por uma infecção generalizada e, na certidão de óbito, também foi citada a neoplasia mamária como possível influenciador do ocorrido. 

Maria de Fátima Batista faleceu dia 29 de março de 2024, deixando sua única filha Anália, que na época tinha 21 anos. 

“Foi difícil, ainda hoje é, não foi fácil. Por ser filha única sempre foi só eu e ela. Eu achei que meu mundo ia desabar. Só que eu acho que ela passou a vida me preparando pra isso, eu acho que ela já sabia.”

Depois da morte da mãe, Anália passou a morar sozinha, mesmo passando por um momento extremamente difícil, numa experiência que nunca achou que passaria. Com apoio da família, ela continuou os estudos, um sonho que ela compartilhava com a mãe. 

“O maior sonho dela sempre foi me ver continuando minha vida, formada, seguindo em frente e correndo atrás dos meus sonhos, ela sempre dizia. Eu não ia desabar, até porque eu sei que não era o que ela queria. Antes dela falecer, umas duas semanas antes, ela teve lá na minha vó e ela comentou que o maior medo dela era falecer e me deixar sozinha no mundo.”

Anália seguiu com a vida e com os estudos, mas que todos os dias lembra e vê a mãe em todos os lugares. Emocionada, ela conta que não é fácil, que tem dias que a saudade bate muito forte e que ela acaba chorando, mas que sua mãe jamais será uma lembrança esquecida e que sempre anda com ela.

“Eu aprendi muito isso com ela, que família é a base de tudo pra gente, independente de qualquer coisa. Outra coisa que ela me ensinou também foi que nunca desista dos meus sonhos, desde pequenininha ela me apoiou em tudo(...). Não é fácil, perder uma mãe é como se você tivesse uma faca entrelaçada em você, a dor é muito forte, mas não se deixe abater, eu sei que não era isso que a minha mãe queria.”

A história de Maria de Fátima e de Anália é contada e repetida por tantas pessoas e famílias que convivem ou conviveram com pacientes com câncer. A guerra travada contra uma doença cruel parece eterna, mas nunca imbatível. Vencer o câncer vai além de receber a cura, trata de como você lida com o diagnóstico e sobre quem está com você durante a caminhada. Mesmo quando, como a Maria de Fátima, há óbito, não significa que foi uma batalha perdida, mas sim alguém que foi muito amada e venceu o câncer não com uma cura absoluta, mas venceu porque amou tanto que permaneceu viva na memória das pessoas. 
 

Anália Batista guarda com carinho as lembranças e o legado de coragem da mãe. Foto: Valentin Bezerra

Locais de Apoio às mulheres

Em Juazeiro do Norte, ações são desenvolvidas ao longo do ano visando conscientizar as mulheres a respeito do câncer de mama. Muitas mulheres, que são chefes de família e provedoras do lar, enfrentam jornadas duplas ou triplas e priorizam o cuidado com os outros, deixando a própria saúde de lado. Atualmente, em Juazeiro do Norte, o agendamento das mamografias acontece nas próprias Unidades Básicas de Saúde (UBSs). 

 

Lá, a paciente recebe o encaminhamento para a mamografia, e a solicitação é inserida no sistema de marcações na própria unidade. A realização dos exames é feita por meio de clínicas particulares conveniadas à prefeitura de Juazeiro do Norte. Além disso, a prefeitura utiliza a estrutura da Policlínica João Pereira dos Santos, localizada em Barbalha, por meio de um consórcio de saúde regional, buscando garantir que todas as mulheres tenham acesso ao procedimento. 

 

Somado a isso, no Centro de Dermatologia, na Rua Tabelião João Machado, s/n, bairro Santa Tereza, existe um Guichê de Mamografia onde as mulheres entre 49 e 69 anos podem agendar mamografias. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h, sem pausa para almoço. Para realizar o agendamento, é preciso levar a requisição médica de mamografia, cartão do SUS, RG, CPF e comprovante de endereço. 

 

Segundo nota da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juazeiro do Norte, no mês de outubro, a oferta de exames de mamografia será dobrada, ampliando o acesso e possibilitando que mais mulheres realizem o exame preventivo.  

Um futuro promissor

Hospital do Amor do Cariri

Em outubro de 2023, foram iniciadas as obras do Instituto de Prevenção ao Câncer em Juazeiro do Norte, vinculado ao Hospital do Amor de Barretos, interior de São Paulo, referência na América Latina no tratamento contra o câncer. A obra de iniciativa público-privada conta com emenda parlamentar do senador Eduardo Girão (NOVO) anunciada em abril de 2023 com um valor de aproximadamente R$ 36 milhões destinados à compra de equipamentos e custeio inicial do Instituto. Inicialmente, o espaço deve atender mulheres que padecem de câncer de mama e câncer de colo do útero, mas há a expectativa de que, ao longo do tempo, se atenda também a mais dois tipos de câncer, o de pele e o de próstata.

 

Segundo a Prefeitura de Juazeiro do Norte, as obras do Instituto de Prevenção ao Câncer de Mama e Colo do Útero já ultrapassaram mais de 60% de execução e a previsão é que seja entregue ainda no final do ano de 2025. Com o início das atividades, a expectativa é de redução dos índices de mortalidade por câncer, facilitando o acesso a exames preventivos de alta qualidade. 

Obras do Hospital do Amor de Juazeiro do Norte em andamento. Fotos: Valentin Bezerra

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Camily de Souza

Repórter e editora de visualidade

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Beatriz Vieira

Repórter

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Valentin Bezerra

Produtor e Repórter

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Reportagem multimídia apresentada na disciplina de

Jornalismo Digital II | 5º semestre | 2025

Ivan Satuf

Professor Orientador

 

Hanna Menezes

Suporte Técnico

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